CALVINISMO E ARMINIANISMO EVANGELICO 9788564649026

Prefcio edio brasileira O Rev. Valter Graciano Martins tem contribudo intensamente com a teologia e-vanglica brasileira h algumas dcadas, quer com obras de sua lavra, quer com competentes e abnegadas tradues, dentre as tantas, destaco a pioneira dos co-mentrios de Joo Calvino (Exposio de 2 Corntios, So Paulo: Paracletos, 1995) e, recentemente, a obra de Franois Turretini (Compndio de Teologia Apologtica, So Paulo: Cultura Crist, 3 Vols., 2010), tambm indita em lngua portuguesa. Agora nos surpreende mais uma vez com esta traduo, para a qual o pblico evanglico de lngua portuguesa desejoso de boa teologia deve estar atento e agra-decido a Deus pelo autor, tradutor da obra e editor. Hoje, enquanto redijo esta nota, faz precisamente 113 anos que faleceu o Dr. Girardeau (23.06.1898). O Dr. John Lafayette Girardeau (1825-1898), ministro presbiteriano norte americano, de ascendncia huguenote (seus ancestrais fugiram da Frana depois da revogao do dito de Nantes [23 de outubro de 1685], quando os calvinistas voltaram a ser perseguidos) ainda que um tanto esquecido em nossos dias, exerceu poderosa influncia quer como pastor, prestando, inclusive, intensa assistncia espiritual, moral e social aos negros da Carolina do Sul, capelo no 23 Regimento de voluntrios da Carolina do Sul (Exrcito Confederado) durante a Guerra Civil Americana (1861-1865), Moderador da Presbyterian Church in the United States (PCUS) (1874), quer como professor e telogo (Professor de Teologia Sistemtica no Columbia Theological Seminary (fundado em 1828) (1876-1895), onde tambm estudara. Girardeau tornou-se amado e admirado por sua piedade, abnegao, filantropia e erudio. As suas obras e artigos so extensos, perfazendo campos distintos tais como sobre o uso de instrumentos do culto, filosofia e notadamente, teologia. Como pregador era brilhante, sendo considerado, talvez no sem razo, o Spurgeon da Amrica. Juntamente com outros dois telogos pouco conhecidos no Brasil, James H. Thornwell (1812-1862), de quem recebeu significativa influncia e seu amigo, tambm de origem huguenote, Robert L. Dabney (1820-1898), considerado um dos maiores telogos do Sul dos Estados Unidos do sculo XIX. A obra que o privilegiado leitor tem em mos, conforme o autor mesmo explica, foi resultado de estudos feitos aos sbados na Primeira Igreja Presbiteriana de Colmbia, apresentando a viso calvinista em contraposio perspectiva arminiana, especialmente wesleyana, a respeito de diversas doutrinas notadamente concernente Eleio e a Reprovao e Soteriologia, especialmente no que concerne doutrina da Justificao. O livro tem uma abordagem apologtica. O seu estilo polido, porm, denso. A sua argumentao bblica e como filsofo que era, com rigor lgico. A obra publicada em 1890, ao estilo de Calvino (Comentrio de Romanos), faz uma reviso bibliogrfica, indicando o porqu de sua publicao, mostrando estar familiarizado com obras semelhantes, justificando a necessidade de seu apareci-mento. Ciente de que entre os calvinistas h abordagens distintas concernentes aos de-cretos de Deus, assume de modo claro o seu quadro de referncia: Calvino e as principais Confisses Reformadas. Entendendo serem eles infralapsarianos: Nesta discusso se adotar o ponto de vista infralapsariano dos decretos divi-nos, sob a convico de que caracterstico do sistema de doutrina declarado em todas as confisses calvinistas, que falam definitivamente sobre a questo, e mantido pela grande maioria dos telogos calvinistas. frente: Este o ponto de vista de Calvino e isso prova que ele teria sido infra-lapsariano. Aqui, ao mencionar Joo Calvino (1509-1564), sem de nenhum modo desmerecer o seu trabalho, o autor d um salto um pouco mais amplo do que as evidncias lhe permitiriam. Contudo, no fez isso sozinho. A questo um pouco mais delicada. Vejamos. Antes da Reforma, estes termos (supralapsarianismo e infralapsarianismo) tinham uma aplicao diferente da que passou a ter aps a Reforma, e que perdura at os nossos dias. Esta diferena de conceituao, que com frequncia passa despercebida, certamente contribui para acrescentar mais incompreenses quanto ao assunto. No perodo anterior Reforma, a problemtica principal consistia em saber se a queda de Ado, fazia parte ou no do decreto eterno de Deus. Os Supralapsrios respondiam afirmativamente os Infralapsrios diziam que a queda fazia parte do conhecimento prvio de Deus, mas no do Seu decreto. Durante a Reforma, Lutero (1483-1546), Zwnglio (1484-1531) e Calvino (1509-1564), estavam acordes quanto ao fato de que Deus de alguma maneira inclura o pecado no Seu Decreto, todavia, Ele no era o autor do pecado. Deste modo, o pe-cado passou a ser encarado como que fazendo parte do "decreto permissivo" de Deus. Aps a Reforma, as duas palavras passaram a se referir ordem lgica do De-creto de Deus, sendo Theodoro Beza (1519-1605) sucessor de Calvino em Gene-bra , o primeiro a desenvolver o assunto dentro desta perspectiva. A. O Supralapsarianismo: A palavra supralapsarianismo, provm de dois termos latinos: "Supra" (acima de, antes de, anteriormente) e "Lapsus" (queda, erro, engano). O Supralapsarianis-mo entende que o decreto da eleio foi logicamente anterior ao decreto da criao. Assim, dentro desta perspectiva, temos a seguinte ordem do Decreto de Deus: 1) Eleger alguns homens que seriam criados para a vida, e condenar outros para a destruio. 2) Criar toda a humanidade: Os eleitos e os reprovados. 3) Permitir a Queda: a queda dependeria da escolha voluntria do homem. 4) Prover um Redentor para os eleitos. 5) Enviar o Esprito Santo para aplicar a Redeno obtida por Cristo, no corao dos eleitos. Esta posio, sempre foi defendida por inmeros e respeitveis telogos Refor-mados. Entre eles, citamos, primeiramente, o prprio J. Calvino (1509-1564)(?) T. Beza (1519-1605) Jacobus Trigland (1583-1654) William Twisse (1575-1646) que presidiu a Assemblia de Westminster Franciscus Gomarus (1563-1641) oponente de Jacobus Arminius (1560-1609), tendo participado do Snodo de Dort (1618-1619) G. Voetius (1588-1676) Pedro Martir (1500-1562) H. Zanchi (1516-1590) Z. Ursinus (1534-1583) um dos elaboradores do Catecismo de Heidelberg (1563) F. Burmann (1632-1679) H. Witsius (1636-1708) e Herman Hoeksema (1886-1965). B. O Infralapsarianismo ou Sublapsarianismo: Estes nomes tambm provm de dois termos latinos: "Infra" ou "Sub" (abaixo de, sob) e "Lapsus" (queda, erro, engano). O Infralapsarianismo entende que o de-creto da eleio foi logicamente posterior ao decreto permissivo da queda. Dentro desta perspectiva, temos a seguinte ordem lgica do Decreto de Deus: 1) Criar a Humanidade. 2) Permitir a Queda: A queda dependeria da escolha voluntria do homem. 3) Eleger para a salvao alguns homens, e deixar os demais em seu estado de condenao. 4) Prover um Redentor para os eleitos. 5) Enviar o Esprito Santo para aplicar no corao dos eleitos, por intermdio da Palavra, a Redeno obtida por Cristo. Da mesma forma, esta concepo sempre encontrou um grande nmero de de-fensores entre os Reformados e, tambm, deve ser dito, que todas as Confisses Reformadas sustentam esta posio. Entre os telogos que partilham do conceito Infralapsrio, destacamos: A. Rivet (1573-1651) F. Turretini (1623-1687) J.H. Heidegger (1633-1698) A. Walaeus (1573-1639), Petrus Von Mastricht (1630-1706) Charles Hodge, (1797-1878) A.A. Hodge (1823-1886) B.B. Warfield (1851-1921) A.B. Teixeira (1873-1975) Samuel Falco (1904-1965) L. Boettner (1901-1990) G.C. Berkouwer (1903-1996) A.A. Hoekema (1913-1988). Entre as Confisses Reformadas, destacamos: Confisso Gaulesa (1559), Art. 12 Confisso Escocesa (1560), Cap. VIII. Confisso Belga (1561), Art. 16. Catecismo de Heidelberg (1563), Pergunta 54. A Segunda Confisso Helvtica (1566), Caps. 10 e 17. Cnones de Dort, (1618-1619), I, 7-10. Confisso de Westminster (1647), Cap. III. Breve Catecismo de Westminster (1647), Pergs. 19 e 20. Charles Hodge (1797-1878), comentando esta posio, diz: "Que este ponto consistente em si mesmo e harmonioso. Como todos os de-cretos de Deus so um s compreensvel propsito, no se pode admitir nenhum ponto de vista sobre a relao dos detalhes que tal desgnio abarca, que no ad-mita sua plena reduo unidade. Em todo grande mecanismo, qualquer que se-ja o nmero ou complexidade de suas partes, deve haver uma unidade de desg-nio. Cada parte est relacionada com outras partes, e a percepo de tal relao necessria para uma conveniente compreenso do todo. Alm do mais, como os decretos de Deus so eternos e imutveis, nenhuma viso de Seu plano de operao que suponha a Deus propondo-se primeiro uma coisa e depois outra, pode ajustar-se natureza de tais decretos. E, como Deus absolutamente sobe-rano e independente, todos Seus propsitos ho de ser decididos desde Seu inte-rior ou de acordo com o desgnio de sua prpria vontade. No pode supor-se que sejam contingentes ou manter-se em suspenso ante a ao de Suas criaturas, ou ante qualquer coisa fora dEle mesmo. O sistema infralapsrio, como o sustentam a maior parte dos agostinianos, cumpre todas estas condies todos os detalhes particulares formam um todo compreensivo tudo se segue em uma ordem que no supe cmbio algum de desgnio e tudo depende da vontade de Deus infini-tamente sbia, santa e justa. O fim ltimo a glria de Deus. Para este fim cria o mundo, permite a queda, dentre os homens cados elege alguns para a vida eter-na, e deixa o resto justa recompensa de seus pecados. A quem Ele elege, Ele chama, justifica, e glorifica esta a cadeia de ouro cujos elos no podem ser se-parados ou mudados. Esta a forma em que o esquema da redeno estava na mente do Apstolo ao ensinar-nos em Romanos 8.29,30". Neste momento, julgamos oportuno realar os pontos que o "infra" e o "supra" tm em comum: 1) Deus no o autor do pecado. 2) As Escrituras so a nica fonte do nosso conhecimento a respeito do decreto de Deus. 3) Que o pecado e punio no so meramente o objeto da prescincia de Deus, porm de Seu decreto (permissivo) e predeterminao. 4) Que a f no a causa do decreto da eleio, nem o pecado a causa do decreto de reprovao. William Cunningham (1805-1861), Herman Bavinck (1854-1921), Louis Ber-khof (1873-1957), e Herman Hoeksema (1886-1965), destacaram o fato de que entre os telogos Reformados, no tm havido problema na sustentao de qual-quer uma das duas posies, sendo ambas possveis dentro da Teologia Bblico-Reformada. Concluindo nossas anotaes sobre este assunto, temos que concordar com Robert. L. Dabney (1820-1898), quando diz que esta questo ("Supra" e "Infra") "nunca deveria ter sido levantada". De fato. Todavia, enquanto estudantes de teologia e interessados neste tema abordado pelo autor, devemos estar familiariza-dos com os problemas que marcaram a sua histria e tiveram e tm repercusso na vida da Igreja. Tomemos como estmulo e sincera humildade a observao de Berkhof: "Com relao ao estudo deste tema profundo, devemos ver que o nosso entendimento limitado, e dar-nos conta de que captamos somente fragmentos da verdade". Deste modo, temos na obra de Girardeau um trabalho bblico, sbrio, denso, com profunda agudez lgica, contextualizando, dentro da melhor tradio Reformada, o seu tema. Creio que a sua leitura contribuir em muito para o nosso aprofundamento do estudo destas doutrinas dentro da perspectiva Reformada. Meu desejo e orao que o estudo deste assunto contribua para uma viso pastoral mais comprometida e um desejo de maior santidade diante de Deus, que se manifesta em reverente gratido e adorao. Boa e edificante leitura a todos. Deus os abenoe. Maring, 23 de junho de 2011. Hermisten Maia Pereira da Costa.

Comparados quanto : ELEIO, REPROVAO, JUSTIFICAO e DOUTRINAS CORRELATAS

Autoria
John L. Girardeau
Traduo
Valter Graciano Martins

Prefcio: Hermisten Maia Pereira da Costa

Frete Grtis No
Codigo ISBN 9788536985285
Autor / Artista John L. Girardeau
Editora / Gravadora Primcias

AVISE-ME QUANDO CHEGAR

Produtos Relacionandos